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Câmara Municipal de Canudos

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Visão Geral

Visão Geral

Bandeira Bandeira do Município
Brasão Brasão do Município
  • Aniversário: 25 de fevereiro
  • Fundação: 25 de fevereiro de 1985
  • Padroeiro (a):Santo Antônio
  • Gentílio:canudense
  • Cep: 48520-000
  • População: 16752 (estimativa)
  • Presidente (a): (PSD)
    2019 - 2020

Geografia

O município de Canudos fica localizado a uma latitude 09º53'48" sul e a uma longitude 39º01'35" oeste, estando a uma altitude de 402 metros e encontra-se inserido no Polígono das Secas e no vale do rio Vaza-Barris. O município possui uma área de 3.189,540 km² e sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, era de 16 752 habitantes.

Área da unidade territorial [2018] 3.189,540 km²
Esgotamento sanitário adequado [2010] 17,1 %
Arborização de vias públicas [2010] 75,9 %
Urbanização de vias públicas [2010] 1,3 %
Dados do IBGE

Clima

Tropical Semi-árido

História

Canudos é hoje uma cidadezinha pacata, com traçado planejado e ruas retas. Fica a 410 km de Salvador, junto ao açude Cocorobó, região Nordeste do estado. O município foi criado na década de 1980 e tem apenas 16.752[2018] habitantes. Mas sua história vem do final do século XIX, com acontecimentos que abalaram o país. Um dos pontos turísticos mais visitados do sertão da Bahia, o município e a região foram palco de um dos episódios mais marcantes da História da Bahia: a Guerra de Canudos.

Tudo começou quando o beato Antônio Conselheiro encerrou sua peregrinação pelo sertão e fundou o povoado de Belo Monte, na Fazenda Canudos, em junho de 1893. Dois meses antes, seus seguidores foram atacados pela polícia baiana, e o conflito resultou em mortes dos dois lados. A partir daí, milhares de fiéis foram ao encontro do novo Messias na “Terra Prometida”.
O Conselheiro anunciava para breve o fim do mundo e não reconhecia o governo terreno da República recém-proclamada. Em apenas três anos Belo Monte transformou-se na segunda maior aglomeração urbana do estado, com 25 mil habitantes, só perdendo para Salvador. Levas e levas de sertanejos pobres continuavam a abandonar as fazendas para ir viver no povoado, rezar, fazer penitência e esperar o juízo final. E o fim daquele mundo não tardou. Pressionado pelos coronéis e pela Igreja, o governo chamou o Exército para dissolver a comunidade mística.
A tarefa não foi fácil. O Conselheiro também preparava-se para se defender de um ataque do governo. Sua guarda era formada por jagunços convertidos. Por subestimar o poder de fogo dos sertanejos, o Exército foi derrotado na primeira, na segunda e na terceira tentativa. Quase dois mil soldados foram rechaçados, e o comandante da penúltima expedição foi morto em combate.
As forças federais e municipais, com armas de repetição, metralhadoras e canhões, não conseguiram tomar o povoado. A defesa era feita com espingarda de carregamento lento, facões e ferros de manejar gado. Só depois de mobilizar mais cinco mil soldados, tendo à frente dois generais, o Exército conseguiu tomar o povoado, que resistiu até o fim. Belo Monte foi completamente destruída em outubro de 1897.
Passados alguns anos, as pessoas começaram a retornar e reconstruíram o lugarejo, que passou a ser chamado de Canudos. Mas, em 1968, como que cumprindo a profecia atribuída a Conselheiro de que o sertão iria virar mar, Canudos foi invadida pelas águas represadas do Rio Vaza Barris. Hoje está a 40 metros de profundidade, sob os 250 milhões de metros cúbicos de água do açude Cocorobó.
Memória Viva
Os números de Canudos até hoje permanecem imprecisos. Sabe-se que morreu um mínimo de 10 mil pessoas, das 25 mil que viviam em Belo Monte. O Exército teve mais de duas mil baixas, entre mortos, feridos e desertores. Independentemente da tragédia humana ocorrida na Canudos de 1897, a verdade está expressa no testemunho vivo de Euclides da Cunha, na obra Os Sertões: "Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados".

A Canudos de hoje está a 15 km da velha Canudos, e vive da pesca de tilápias e tucunarés do açude de Cocorobó e do cultivo de sementes na área aproveitada do perímetro irrigado pelo açude. O Centenário de Canudos foi comemorado em 1997. Decorridos mais de cem anos dos dramáticos episódios nos sertões da Bahia, prosseguem os esforços de estudiosos, brasileiros e estrangeiros, para descrevê-los e interpretá-los, tentando vencer a dicotomia entre o real e o imaginário que o caso histórico sempre ensejou.
A Igreja hoje já tem outro discurso: “ O Conselheiro era um homem fantástico. Estamos resgatando a história dos vencidos”, garante o Padre João Antônio, numa visão que faria arrepiar D. Luís, Arcebispo da Bahia, que, em 1882, proibia os paroquianos de ouvir as pregações do Conselheiro.
A cidade já se acostumou com os forasteiros. “O movimento tem aumentado muito nos últimos anos”, diz Jailda Oliveira, dona do Hotel São João Batista, onde se hospedou o escritor peruano Mário Vargas Llosa, enquanto escrevia A Guerra do Fim do Mundo, sobre a tragédia de Canudos, lançado em 1981, e traduzido para mais de 15 idiomas. O pai de Jailda, João da Guerra, sabia muitas histórias e foi uma das fontes do escritor.
Canudos ainda vive meio isolada da capital. As emissoras de televisão só transmitem a programação do Rio e de São Paulo. Os jornais só chegam por encomenda. É preciso percorrer um trecho de 84 km de estrada de barro para alcançar a cidade. É no dia de feira, aos domingos, que a alma sertaneja se faz presente no centro da cidade. Raizeiros vendendo ervas medicinais, propagandistas com mala de cobra anunciando remédios milagrosos, e um grupo de zabumba saudando o padroeiro da cidade.
Do centro de Canudos se avista uma espécie de platô avermelhado, que se sobressai sobre uma planície, conhecido como Toca Velha. É morada da arara azul de lear, uma espécie de ocorrência restrita à caatinga. Nenhum caçador entra mais naquela área depois de um trabalho de conscientização desenvolvido pela fundação Biodiversitas para a conservação da diversidade biológica, com sede em Belo Horizonte. A fundação tem conseguido aumentar a população das aves, que estavam ameaçadas de extinção.

Turismo

No que diz respeito aos aspectos turísticos seus maiores pontos turísticos são:

O parque Estadual de Canudos, que preserva alguns pontos onde ocorreram as batalhas da Guerra de Canudos, dentre eles o alto do Mário, o Alto da Favela e a sede da Fazenda Velha – onde morreu o Coronel Moreira César, conhecido como o corta-cabeças, em sua desastrada tentativa de conquistar Canudos.
O IPMC – Instituto Popular Memorial de Canudos, que preserva o Cruzeiro de Antônio Conselheiro crivado de balas durante a guerra, além de uma coleção de arte popular inspirada na história do Belo Monte e uma pequena biblioteca sobre a guerra de Canudos e questões camponesas.
O Memorial Antônio Conselheiro, mantido pela UNEB, que guarda achados arqueológicos da região, além de algumas roupas e máscaras usadas na produção do filme “ A Guerra de Canudos” de Sérgio Rezende.
Estação Biológica de Canudos, mantida pela Fundação Biodiversitas.
A Estação Biológica de Canudos é uma reserva biológica particular, com área de 1477 hectares localizados no sertão do estado da Bahia. Pertencente à ONG Biodiversitas, a reserva foi criada em 1989 com a finalidade de garantir a preservação da arara-azul-de-lear. Esta ave é endêmica na caatinga baiana e encontra-se ameaçada de extinção.
Nesta estação são desenvolvidas atividades de proteção ao habitat, educação ambiental, manejo do licuri, base de alimentação do pássaro, estudos biológicos e trabalhos de fiscalização.
A Estação é mantida pelo Fundo Judith Hart. Possui duas bases de campo, a norte e noroeste da reserva, que são pontos de apoio a funcionários, pesquisadores e estudantes. Possui também um escritório na cidade de Canudos.

Letra do Hino

O Município ainda não possui hino oficial